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Autocuidado: Priorize-se para uma vida mais leve

Estratégias para proteger o bem-estar emocional na Medicina Veterinária e na Zootecnia
Médica-veterinária usando uniforme azul e óculos em pé com as mãos juntas em posição de oração e olhos fechados.
4 minutos

Vínculos intensos entre pessoas e animais fazem parte da rotina dessas duas profissões. Entre diagnósticos, tratamentos e decisões difíceis, médicos-veterinários e zootecnistas lidam diariamente com despedidas, expectativas, pressões e frustrações. Muitas vezes, a responsabilidade pelo sucesso de um tratamento ou pela saúde de um rebanho complexo é atribuída exclusivamente ao profissional.

Essa carga emocional, somada à autocobrança e à sensação de disponibilidade permanente, ultrapassa os limites do trabalho e afeta outras dimensões da vida. Esses fatores aparecem entre os principais achados da psicóloga e pesquisadora Bianca Stevanin Gresele, autora da tese Fatores de risco para a saúde mental de médicos-veterinários clínicos”, um dos poucos estudos acadêmicos dedicados ao tema.

“A cultura da Medicina Veterinária ainda é fortemente marcada por uma lógica de sacrifício, abnegação e desempenho constante, que reforça a ideia de que o bom profissional é aquele que aguenta tudo, que está sempre disponível e que coloca as necessidades dos outros acima das suas próprias”, explica Bianca.

A conversa está mudando

Embora o estudo tenha sido realizado com médicos-veterinários clínicos, seus resultados apontam que todos os profissionais precisam olhar com mais cuidado para as próprias emoções. Cuidar da saúde mental é essencial para uma carreira sustentável.

O debate sobre autocuidado tem ganhado força. A médica-veterinária Sibele Regina Konno, presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do CRMV-SP, reforça que as mudanças recentes têm ajudado a quebrar tabus:

“Com a desmistificação do assunto e os alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde sobre a importância da saúde mental, ficou mais fácil falar abertamente. Inclusive, reconhecer que questões como depressão e ansiedade são doenças, e não ‘frescura’, como muitos costumavam afirmar décadas atrás. Hoje há menos tabu e mais abertura para a conversa”, garante.

A psicóloga Bianca Gresele complementa que o tema precisa ser tratado com seriedade e de forma coletiva. Ela comenta mais no vídeo abaixo:

Mente sã

A mudança de cultura envolve: normalizar o pedido de ajuda e compreender que saúde mental é um dos pilares da prática profissional sem transformá-la em mais uma obrigação. “Cuidar da saúde mental não significa ter uma rotina perfeita de autocuidado, mas sim encontrar pequenas formas possíveis de respiro dentro da realidade de cada um”, orienta a psicóloga Bianca Gresele.

Muitos profissionais ainda evitam falar sobre dores emocionais por estigma ou pela falsa ideia de que resiliência significa suportar tudo. Isso impede o reconhecimento das próprias fragilidades e reforça sentimento de culpa e vergonha ao buscar ajuda psicológica. “Como consequência, muitos passam a sentir vergonha, culpa ou medo de julgamento ao buscar ajuda psicológica, associando o cuidado com a própria saúde mental à fraqueza ou à falta de vocação.”

Lidando com o luto

Banner nas cores roxa e verde com um médico-veterinário sentado e cansado e dicas para lidar com o luto.

Exemplos de rituais simbólicos que ajudam a processar o impacto emocional:

  • Acender uma vela ou escrever uma carta ao animal que partiu;
  • Fazer pausas conscientes;
  • Praticar atividade física;
  • Reservar momentos de silêncio.

Pequenas práticas, grandes impactos

A inclusão de hábitos de cuidado físico e emocional na rotina, mesmo que pareçam simples, pode ajudar os profissionais a evitarem o esgotamento. Pequenos intervalos no dia a dia são práticas de autocuidado que não substituem a terapia, mas têm efeito terapêutico. “A realização de pausas conscientes durante o expediente, mesmo que breves, permite ao corpo e à mente reduzirem o ritmo e retomarem o foco”, orienta a psicóloga Bianca Gresele.

A médica-veterinária Sibele Konno reforça que pequenas mudanças no curto prazo já podem trazer resultados perceptíveis. “O que podemos cuidar, de imediato, é da alimentação e da prática de atividades físicas. Muitas vezes, atitudes simples, como caminhar pelo bairro ou tomar uma bebida quente ao final do dia, já ajudam”, recomenda.

Ela acrescenta que as redes de apoio também podem estar fora do ambiente profissional. “Ter amigos com quem conversar sobre assuntos diversos, reservar um tempo para um hobby ou para uma atividade que não esteja ligada à rotina hospitalar é essencial. Ninguém é de ferro”, ressalta Sibele.

Entrevista exclusiva

A médica-veterinária e psicóloga Ingrid Bueno Atayde Machado, presidente da Comissão de Atenção à Saúde Mental dos Médicos-Veterinários e Zootecnistas (CASM) do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), falou com exclusividade sobre os desafios e cuidados necessários para trilhar a jornada profissional sem esquecer do autocuidado.

Assista à entrevista completa no menu Reportagens do Informativo ou clicando abaixo:

Um caminho individual e coletivo

Cada profissional que escolhe priorizar o próprio bem-estar e normaliza o pedido de ajuda contribui para estabelecer limites saudáveis e transformar o cenário dessas profissões. A mudança começa com pequenos compromissos consigo mesmo, reforça a psicóloga Bianca Gresele.

“Criar rituais de fechamento do dia, como trocar de roupa ao chegar em casa, tomar um banho demorado, escrever sobre algo que marcou ou simplesmente silenciar o celular, ajuda o cérebro a compreender que o trabalho terminou. Esses gestos simbólicos são fundamentais para o processo de desconexão emocional e física da rotina profissional.”

Além das atitudes individuais, iniciativas institucionais também fortalecem esse movimento. A CASM é um exemplo desse compromisso. Entre as ações recentes da Comissão está a organização do Primeiro Colóquio sobre Saúde Mental e Laços entre Pessoas e Animais, realizado em 30 de outubro de 2025, em Brasília, em formato híbrido, permitindo participação presencial e remota.

Outra iniciativa é a série “Saúde Mental no Dia a Dia”, que aborda diferentes aspectos do bem-estar profissional e conta com a participação da psicóloga Bianca Gresele que você pode assistir clicando abaixo:

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